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O programa de combate à fome mais extenso dos Estados Unidos está por um fio. Com a paralisação do governo americano entrando em sua terceira semana, cerca de 42 milhões de americanos, aproximadamente uma em cada dez pessoas no país, enfrentam a possibilidade de perder o acesso ao auxílio-alimentação em novembro.
O Programa de Assistência Nutricional Suplementar (SNAP, na sigla em inglês), comumente referido como food stamps (selos de alimentação, na tradução livre para o português), deve ficar sem dinheiro em 1º de novembro, de acordo com a Secretária de Agricultura Brooke Rollins, que alertou que “milhões e milhões de famílias vulneráveis” podem passar fome em breve.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, na sigla em inglês), que supervisiona o SNAP, informou aos estados que, sem uma nova ação do Congresso ou financiamento de emergência, os benefícios integrais não serão emitidos no próximo mês.
Com o Dia de Ação de Graças se aproximando e os preços dos alimentos em alta, as famílias já estão lutando para sobreviver. Este ano a data é comemorada no dia 27 de novembro, uma quinta-feira.
A administração Trump e os Democratas trocaram acusações no Congresso, e, no fogo cruzado, estão as famílias mais vulneráveis daquele país.
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Apoiadores escutam o Deputado Donald McEachin (Democrata de Virgínia) em campanha contra os cortes no SNAP em 2018
O fundo de contingência de emergência do SNAP atualmente detém cerca de US$ 6 bilhões (R$ 32,22 bilhões, segundo a cotação atual), mas o programa precisa de US$ 8,1 bilhões (R$ 43,49 bilhões) para cobrir os benefícios de novembro.
Sem novo financiamento, o USDA diz que terá que suspender todos os pagamentos inteiramente. Dezessete estados já pararam de aceitar novas inscrições.
Na Pensilvânia, juntamente com outros estados, autoridades estaduais anunciaram na semana que os pagamentos do SNAP de novembro podem não ser emitidos, criando ansiedade entre as famílias de baixa renda que dependem de seus depósitos mensais para alimentação.
Outros programas de segurança social, como o WIC, um provedor chave de alimentos para mulheres grávidas e bebês, evitaram por pouco o colapso no início do mês, mas foram redirecionados US$ 300 milhões (R$ 1,61 bilhão) em receita de tarifas. O SNAP apoia seis vezes mais pessoas.
Uma vez que a crise de financiamento seja resolvida, o SNAP, que apoia seis vezes mais pessoas que o WIC, virá com novas restrições. Adultos entre 18 e 64 anos sem crianças pequenas devem trabalhar, ser voluntários ou participar de pelo menos 20 horas de programas de educação ou treinamento por semana ou arriscam perder os benefícios após três meses. As novas regras também encerram as isenções para veteranos.
E agora? O que os beneficiários do SNAP podem fazer
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Uma placa na vitrine de um mercado anuncia a aceitação de vales-alimentação (programa SNAP)
Se você conhece algum depende do SNAP, aqui estão três passos chave:
- Busque apoio local imediatamente: identifique e entre em contato com todos os bancos de alimentos e organizações comunitárias locais o mais rápido possível. Muitos estados têm linhas diretas 211 ou outros diretórios que podem conectar o indivíduo a recursos próximos. Essas redes podem ser uma tábua de salvação para alimentos até que os benefícios federais sejam retomados.
- Mantenha suas informações atualizadas: Os estados exigem que os beneficiários do SNAP completem renovações e relatem quaisquer mudanças na renda ou no status familiar mesmo durante a paralisação. Perder um prazo pode significar ser excluído do programa inteiramente.
- Explore assistência estadual e baseada na fé: Governos locais, organizações sem fins lucrativos, grupos religiosos, despensas de bairro e redes de ajuda mútua podem oferecer assistência de curto prazo. Verifique painéis comunitários locais e grupos de mídia social para eventos.
O que é o SNAP, o maior programa de combate à fome dos EUA
O SNAP existe desde 1961 e há muito tempo é um dos programas de combate à pobreza mais eficientes e eficazes na América, com quase metade de todos os beneficiários menores de 18 anos, e mais de 70% dos benefícios vão para famílias com idosos ou pessoas com deficiência.
Permitir que esse sistema entre em colapso é uma falha de governança e uma traição à promessa mais básica do país: que nenhum americano deve passar fome.
Nas próximas duas semanas, o país verá se o Congresso e a Casa Branca conseguirão superar sua divisão para evitar uma crise. Para 42 milhões de pessoas, o relógio está correndo.