21/04/2026

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10 Empresas Mais Inovadoras do Brasil 2024

Arte: Amanda Pinho

10 Empresas Mais Inovadoras do Brasil

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O uso intensivo da inteligência artificial foi determinante para a elaboração da Lista Forbes Empresas Mais Inovadoras do Brasil 2024.

Entre os destaques estão Itaú Unibanco e Stefanini, com seus mais de mil modelos e ferramentas de IA; Philips, que aplica essa tecnologia na otimização e democratização do atendimento em saúde; e, principalmente, Microsoft, com um aporte de quase R$ 15 bilhões no Brasil.

Mas soluções de outra natureza também foram consideradas: o desenvolvimento dos primeiros carros híbridos flex nacionais pela Fiat/Stellantis; e a produção de biogás e combustíveis renováveis à base de vinhaça de cana e de cereais pelas empresas Jales Machado e Inpasa, respectivamente.

Completam o top 10 a HP e a Boston Scientific, igualmente merecedoras de elogios por suas iniciativas que unem tecnologia e sustentabilidade.

Boston Scientific

A estratégia da Boston Scientific Brasil para criar um ambiente inovador é estimular a inclusão e a diversidade, de modo a gerar a criatividade e o conhecimento necessários para transformar novas ideias em soluções de impacto. Líder global em dispositivos médicos, presente em 140 países e com 48 mil funcionários, a Boston Scientific desenvolve soluções médicas inovadoras para melhorar a saúde dos pacientes e reduzir o impacto financeiro de todo o sistema de saúde.

“A Boston Scientific Brasil tem como um de seus pilares fundamentais a criação de uma cultura de inovação em todas as áreas da empresa. Nosso propósito é cuidar de nossos pacientes, transformando vidas e deixando marcas. E, para isso, é fundamental contribuir para o desenvolvimento de um ambiente tecnológico e de um ecossistema que fomentem novos modelos de negócio e canais fortemente conectados ao digital”, afirma Eduardo Verges, vice-presidente e gerente-geral da Boston Scientific Brasil.

Reconhecida por duas vezes consecutivas pela MIT Technology Review Brasil como uma das empresas mais inovadoras do país, a companhia desenvolve seus programas de inovação sob a metodologia “Innovation Context & Culture”. Entre eles, o IA com Pipea, encontros semanais para manter os colaboradores atualizados sobre inteligência artificial; o Startup Day, no qual, a cada 15 dias, a empresa seleciona 10 startups para compartilhar com os colaboradores exemplos e metodologias de trabalho inovadores; e o Garagem Experience, programa criado para validar produtos utilizando métodos de experiência do usuário para aprimorar a aplicabilidade e os resultados.

No programa Garage Unlock, a Boston Scientific Brasil integra seu hub de inovação às áreas funcionais e desenvolve metodologias de inovação com as equipes de negócios da empresa. Para a equipe de marketing, há um programa de capacitação de oito meses – o Garage Academy – em que especialistas de mercado abordam temas como startups e modelos de negócios, e os participantes precisam desenvolver projetos para implementação na empresa.

Além desses programas, a Boston Scientific Brasil adota três tipos de desafios para estímulo à inovação. O Business Challenge é voltado ao desenvolvimento de novas oportunidades de negócio. No Innovation Challenge, os colaboradores são estimulados a resolver desafios específicos da empresa (a qual se relaciona com mais de 200 startups). E o Open Challenge é aberto para startups colaborarem com soluções inovadoras desenvolvidas em parceria. Esses desafios já resultaram no desenvolvimento de 11 produtos voltados ao mercado. (SG)

Fiat

Se há uma marca bem-sucedida no setor automotivo hoje, é a Fiat. Não apenas por causa dela: a Stellantis, grupo do qual faz parte, encerrou mais um mês como líder no mercado de automóveis e comerciais leves no Brasil, Argentina e América do Sul, sendo a empresa que mais comercializou veículos na região.

De janeiro a outubro, a companhia acumulou mais de 752 mil unidades vendidas (23,6% de market share), aumento de 25.743 unidades em comparação com o mesmo período de 2023. Em outubro, a Stellantis registrou 88,7 mil emplacamentos no mês, o equivalente a 27,7% de participação de mercado sul-americano. Jeep, Peugeot, Citroën, Ram e Abarth têm seus méritos, mas cabe à Fiat (como sempre coube) a missão de inovar – muito antes de a Stellantis sonhar em existir.

Pois foi a Fiat, em 1978, que anteviu o suculento mercado das picapes compactas, lançando o 147 Pickup, nada além de um hatch recortado na coluna B e conectado a uma caçamba. Vinte anos depois, sua sucessora Strada estreia para carregar a tocha da inovação, sempre a primeira no segmento a ter cabine estendida, cabine dupla, motor turbo e câmbio automático, para citar os principais atrevimentos.

De sacada em sacada, a fabricante italiana, fundada por Giovanni Agnelli em 1º de julho de 1899, chegou à dupla Pulse T200 Hybrid e Fastback T200 Hybrid, os primeiros híbridos flex nacionais. Sim, a Toyota foi pioneira com Corolla Hybrid, mas a Stellantis demora uma nova era no curso da mobilidade limpa nacionalizando a matéria-prima, ou seja, o conjunto híbrido. Para além de estrelismos sobre quem chegou primeiro, seu híbrido a etanol pode ser o carro mais limpo do mundo. A salvação do planeta e de quebra o do motor a combustão, que ainda tem um longo percurso pela frente.

Há ainda um componente sentimental que leva a entregar-se à Fiat missões tão desafiadoras: “Como marca que está no coração dos brasileiros e lidera o mercado nacional nos últimos anos, temos a obrigação de também liderar esta nova era de transformações. O DNA de inovações acessíveis está presente na Fiat, que sempre revolucionou e democratizou tecnologias no Brasil. Por isso, nossos SUVs vão impulsionar mais uma revolução, desta vez, intensificando os nossos esforços em oferecer uma mobilidade cada vez mais limpa”, destaca Alexandre Aquino, vice-presidente da Marca Fiat para a América do Sul.

Nos próximos anos, mais de 40 novos modelos e oito powertrains, incluindo opções híbridas e 100% elétricas, serão lançados pela Fiat e pelas demais marcas da Stellantis, após aporte de R$ 32 bilhões em investimentos até 2030, o maior da história da indústria automotiva na região. (RM)

Gerdau Graphene

Pioneira no uso de nanotecnologia em materiais enriquecidos com grafeno para aplicações industriais, a Gerdau Graphene foi criada há pouco mais de quatro anos pelo braço de novos negócios da Gerdau, a Gerdau Next. Desde então, tem acumulado prêmios de inovação. Este ano, levou o Packaging Innovation Awards, promovido pela Dow, e o Worldstar 2024 na categoria Packaging Materials and Components, ambos por suas embalagens plásticas sustentáveis enriquecidas com grafeno, de menor custo, menor espessura e menor pegada de carbono, já que utilizam menos matéria-prima e têm maior capacidade de reciclagem.

Os produtos de polímeros desenvolvidos para o mercado de embalagens estavam entre os primeiros desenvolvidos pela Gerdau Graphene, que também entrega soluções para as indústrias de tintas, cimentos (concretos e argamassas), polímeros e lubrificantes, com a incorporação de grafeno em sua fórmula.

“Somos uma startup de Deep Tech. Desde a nossa criação, temos atuado de forma pioneira como precursora na transformação do grafeno em soluções de escala industrial, um material que, até recentemente, era estudado apenas em laboratório. Por meio de parcerias em modelo de inovação aberta com centros de pesquisa, universidades e empresas, continuamos comprometidos em desenvolver soluções tecnológicas que ajudem nossos clientes a atender às demandas de seus processos produtivos e desenvolvimento de novos produtos com ganhos expressivos de performance associados a uma produção mais sustentável e com menor uso de outras matérias-primas”, afirma Valdirene Perezinotto, diretora-executiva de inovação da Gerdau Graphene.

No início da operação, a empresa focou a construção de sua rede de equipe de pesquisa e desenvolvimento, o que permitiu o lançamento das linhas de produtos Poly-G para o mercado de polímeros, NanoCons para o mercado de cimentos, e NanoDur, NanoLav e NanoCorr para o mercado de tintas.

A empresa também desenvolveu a tecnologia exclusiva G2D, que é aplicada em todos os seus produtos: seleção e incorporação de nanomateriais de carbono, em diferentes matrizes, para a produção de aditivos tecnológicos. Nos polímeros, a adição de pequenas quantidades de grafeno resulta em substancial melhoria de propriedades como elasticidade, aumento de propriedades mecânicas, e maior leveza e durabilidade. Para concretos e argamassas, a solução potencializa o desempenho, durabilidade e sustentabilidade; enquanto os revestimentos e tintas se beneficiam em lavabilidade, durabilidade e resistência à corrosão. Esses produtos recebem o selo de autenticidade da tecnologia G2D. (SG)

HP

A inovação na HP tem sido trabalhada em duas frentes estratégicas: sustentabilidade e transformação digital. Desde 2021, as políticas da empresa focam a redução de impactos ambientais e o uso inteligente de tecnologia para oferecer valor aos parceiros e clientes. Nesse contexto, a companhia lançou um plano climático que visa alcançar a neutralidade de carbono em suas operações até 2025 e reduzir em 50% as emissões em toda a cadeia de valor até 2030, em linha com metas globais de sustentabilidade.

A transformação digital ganha força com o programa HP Amplify AI, que combina inteligência artificial e dados para potencializar a performance de parceiros, de modo a facilitar a personalização da experiência do cliente e a eficiência nos processos de vendas. Mais recentemente, implementou o HP Print AI, projetado para transformar o setor de impressão, para antecipar-se às demandas dos consumidores por uma experiência mais inteligente e simplificada.

“Na HP, nossa inovação é impulsionada pelo compromisso de criar soluções que vão além da tecnologia”, afirma Ricardo Kamel, managing director da HP Brasil. “São soluções transformadoras, sustentáveis e inclusivas, ampliando o impacto da transformação digital para empresas e pessoas em um mundo em rápida mudança.” Dados recentes da companhia mostram que 70% dos parceiros relatam mais vitórias em propostas, enquanto 49% conseguiram conquistar novos clientes.

A visão da HP para o futuro do trabalho, por exemplo, é moldada por uma dedicação contínua à evolução das ferramentas corporativas, alinhando-se às tendências de flexibilidade e colaboração. Os próximos lançamentos, como o HP OmniBook Ultra Flip e o HP EliteBook X, oferecem soluções de última geração para atender às demandas de profissionais que buscam mobilidade, produtividade e alta performance. Haverá também lançamento de novos equipamentos voltados para a melhoria da experiência de videoconferência, necessidade crescente em ambientes de trabalho híbridos. A HP está investindo em recursos de múltiplas câmeras habilitadas para IA, como as barras de vídeo Poly Studio X32 e X72. A ideia é criar um ecossistema que se adapte às necessidades em constante mudança dos usuários.

Em uma perspectiva mais ampla, a aposta em práticas sustentáveis tem reforçado a reputação da HP como marca alinhada aos valores contemporâneos, o que contribui para a fidelização de clientes e a captação de investidores comprometidos com práticas ESG. Essa abordagem, conclui Kamel, permite à empresa enfrentar os desafios de hoje enquanto constrói um futuro mais resiliente e conectado. (SG)

Inpasa

A Inpasa Agroindustrial é, hoje, a maior produtora de etanol de milho do país, além da produção de óleo e do coproduto destinado à dieta animal, o DDG (sigla para Dried Distillers Grains with Solubles). Em 2023, foram processadas 6 milhões de toneladas de milho, para uma receita da ordem de R$ 11,8 bilhões, com estimativa de fechar 2024 com R$ 14 bilhões. O volume de cereal esmagado representou 4,5% da produção nacional. Há cinco anos, era menos de 1 milhão de toneladas de milho.

“Os processos começam a tomar decisões”, diz Fernando Ziioli Alfini, vice-presidente administrativo e financeiro, que também faz parte do conselho de administração. Com sede em Sinop (MT), a companhia possui cinco unidades no país, das quais duas estão em construção, com outras duas em operação no Paraguai. “Queremos sempre otimizar os recursos energéticos e aumentar a eficiência e a segurança operacional”, diz ele. “Os processos precisam ser automáticos e não automatizados.”

Wagner Langner, vice-presidente de processos e projetos, vai elencando o que de fato ocorre no chão da fábrica da Inpasa. “Olhamos para as linhas de inovação por dois caminhos, a química e a física”, diz ele, o que significa, por exemplo, avaliar leveduras de um lado e máquinas e equipamentos de outro. Hoje, os estudos e projetos estão concentrados no Centro de Pesquisa de Dourados (MS), onde fica uma das unidades da empresa.

No uso da inteligência artificial (IA), a Inpasa passou a investir em sistemas de moagem do grão 100% automatizado. No sistema da fermentação operada sob vácuo, a companhia fez um acordo com a Katzen International, provedora de engenharia de processos, que passou a ser adotado em setembro deste ano. Ela é a primeira do mundo a contar com essa tecnologia, com ganhos de produtividade industrial da ordem de 20%.

Também investiu em uma planta de neutralização de etanol, o que remove compostos tóxicos aos humanos. “O etanol neutro de milho já é uma realidade nossa, que destinamos para indústria farmacêutica e de bebidas”, diz Alfini. A empresa tem afinado vários outros processos, como os sistemas de limpeza do óleo, clarificação e gestão do vapor para vários fins, incluindo a economia de energia.

Mas é no DDG que a companhia tem um olhar de lince, que vai da regeneração de vapor do secador do produto ao embarque, por exemplo, para ganhar 30% do tempo. E mais: a Inpasa começou a usar o resíduo do DDG para produzir biogás, com estudo para biometano e bioetanol. “O DDG pode ser usado até na conversão de fibra para etanol”, diz Alfini. “Por olhar processo e inovar no que traz resultado, na última temporada, quando a saca de milho chegou a R$ 60 com muita preocupação no mercado, nós seguimos e pagamos esse preço aos produtores com tranquilidade”, afirma Langner. (VO)

Itaú Unibanco

Após mais de uma década em uma agenda acelerada de investimentos em transformação digital, o Itaú Unibanco alcançou um patamar de modernização de sua plataforma tecnológica que permitiu em 2024 habilitar uma operação mais flexível, ágil e simples para os clientes. A primeira entrega foi o lançamento do Superapp do Itaú Unibanco. A iniciativa agregou sete aplicativos em uma única plataforma integrada e hiperpersonalizada, com o objetivo de atender às necessidades financeiras dos clientes independentemente de possuírem uma conta corrente no banco.

A plataforma combina uso intensivo de dados, inteligência artificial e design com atendimento e consultoria humanizada, se tornando um consultor financeiro dos clientes, além de contar com uma série de novas funcionalidades que facilitam o planejamento financeiro.

“O olhar apurado para o futuro e para a inovação é uma das características mais marcantes da cultura do Itaú Unibanco, atributo decisivo para completarmos 100 anos em plena forma e liderando as transformações no nosso setor”, afirma Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú Unibanco. “A coragem para testar, aliada aos investimentos massivos em tecnologia, nos permitiram ser hoje um banco digital completo, com atendimento humano especializado, em uma nova era da experiência, mais hiperpersonalizada ao momento de vida de cada cliente. Nosso Superapp se fortalece com um consultor financeiro, com produtos flexíveis e fáceis de usar.”

Além desse lançamento, no segmento de telecomunicações, o banco se tornou a primeira instituição financeira global a adotar o Open Gateway, uma solução disruptiva que integra serviços de diferentes operadoras, o que resultou em transações mais rápidas e com maior acessibilidade. Essa tecnologia tem como objetivo fortalecer a segurança e reduzir fraudes.

Utilizando a inteligência artificial como vantagem competitiva, o Itaú Unibanco tem mais de mil modelos de IA em operação dentro do banco e conta com mais de 450 profissionais totalmente dedicados a buscar aplicações de IA generativa nos processos internos, e já registra cerca de 360 projetos em testes nas mais diferentes áreas de negócio do banco.

Um case de sucesso é uma ferramenta disponível para os clientes de investimentos, que utiliza a IA para apoiá-los no entendimento de como eventos de negócios e notícias podem afetar suas carteiras. Ela é capaz de sugerir diferentes maneiras de lidar com possíveis problemas.

Em desenvolvimento de software, o banco tem mais de 1,3 milhão de linhas de código escritas em GenAI pelo GitHub Copilot e mais de 8 mil engenheiros adotando essa solução em escala. (SG) 

Jalles

A Jalles, companhia com sede em Goianésia (GO), tem uma longa história no setor sucroenergético, com produção de etanol como principal produto, mas com um cartão de visitas extraordinário: é uma das companhias que mais produzem açúcar orgânico no mundo. A empresa, hoje controlada pelos sucessores do fundador, Otávio Lage, possui três usinas: duas em Goiás e uma em Minas Gerais, com capacidade para processar 9 milhões de toneladas de cana-de-açúcar por safra. “Em Goiás, a Jalles saiu na frente em muitas inovações, olhando para a operação, onde estão 75% do custo de produção do açúcar e do etanol”, diz Rodrigo Penna de Siqueira, diretor financeiro de relações com investidores.

“Por exemplo, somos pioneiros no uso de taxa variável para aplicação de insumos, como fertilizantes, e até defensivos, o que até hoje é pouco empregado.” A prática otimiza o uso de produtos químicos, reduz custos e melhora a produtividade.

Siqueira destaca um ponto na jornada na inovação: a empresa foi a primeira do setor agroindustrial goiano a abrir capital na B3, em 2021, depois de um hiato de quase 15 anos sem novos IPOs no agro. “A abertura de capital permitiu avanços importantes, incluindo acelerar a infraestrutura de conectividade”, diz. O projeto, iniciado lá em 2018, em parceria com a TIM, hoje cobre com 4G sua área de 110 mil hectares. A Jalles então criou um centro de operações com 19 torres de controle integradas para gerenciamento em tempo real das operações de campo e industriais. Siqueira fala sobre o esforço para a criação de algoritmos avançados e de software de monitoramento. “Com essa tecnologia, conseguimos tornar a operação mais competitiva e sustentável, além de economizar recursos.” Hoje, são cerca de 3 mil equipamentos conectados, dos quais 1.050 são celulares nas mãos da equipe.

O uso de drones e veículos aéreos não tripulados (VANTs) também está na conta da inovação. Drones são utilizados para pulverização localizada e para a distribuição de agentes biológicos, como vespas no controle de pragas. “Produzimos mais de 1 bilhão de vespas por ano, distribuídas principalmente via drones. É uma solução ecológica para o manejo de pragas”, afirma. A biotecnologia tem ajudado na produção de açúcar orgânico, com 30% de sua área total em Goiás destinada ao cultivo orgânico. Em 2023/24, a produção foi de 80 mil toneladas de açúcar orgânico, a maior parte para mercados como EUA, Europa, Canadá e Austrália.

Outra aposta da companhia é o biogás produzido a partir da vinhaça, resíduo da produção de etanol. O biogás já é usado para geração de energia elétrica, e a próxima etapa será a produção de biometano para abastecer a frota e substituir combustíveis fósseis. “Estamos avaliando transformar o bagaço em biometano, o que será um grande passo para aumentar a sustentabilidade da nossa operação”, conta Siqueira. (VO)

Microsoft

Existem poucos produtos e marcas que são sinônimo de suas categorias – Post-it, Gillette e Bombril que o digam. A Microsoft poderia tranquilamente fazer parte desse grupo, uma vez que foi ela que construiu os alicerces do mundo digital como o conhecemos.

A companhia, avaliada em US$ 3 trilhões, a segunda da história a alcançar tal feito, foi fundada por Bill Gates com o ambicioso propósito de democratizar o acesso à tecnologia. A poucos meses de completar 50 anos, 70% das empresas mais valiosas do mundo e quase 2 bilhões de computadores utilizam seus serviços.

“A Microsoft lança um produto por dia. Mas inovação não está relacionada apenas à quantidade ou disrupção. Inovar é ser capaz de investir continuamente para que as novidades se mantenham fortes, seguras e integradas às necessidades dos clientes”, afirma Tania Cosentino, CEO da Microsoft Brasil.

Em setembro deste ano, durante o Microsoft AI Tour, Satya Nadella, CEO global desde 2014, esteve em São Paulo para anunciar o expressivo aporte de R$ 14,7 bilhões para a construção de infraestrutura de IA e armazenamento em nuvem no Brasil. Na ocasião, Cosentino garantiu que “o compromisso com o nosso país é de longo prazo”.

Surpreendentemente, o investimento ultrapassa as instalações tecnológicas. Para Tania, a potência do país como fonte de energia limpa será uma peça-chave para o cumprimento das metas ambientais da empresa. “Antes de 2030, os data centers vão consumir até 6% de toda a energia mundial. Para crescer de maneira sustentável, construímos um parque eólico em Cajuita, no Rio Grande do Norte, para alimentar nossas instalações.”

Na prática, o pioneirismo na transição energética evidencia a preocupação de longo prazo que mantém a Microsoft há cinco décadas na vanguarda da revolução global.

Para além das operações internas, a companhia mantém o radar de descoberta constantemente ativo. Em 2019, a instituição investiu US$ 1 bilhão em uma startup de IA até então desconhecida, chamada OpenAI – cinco anos depois, a criadora do ChatGPT é avaliada em US$ 157 bilhões. No Brasil, já são mais de US$ 9 milhões de créditos de computação em nuvem distribuídos para cerca de 3.800 negócios.

“Vou usar uma frase do Peter Diamandis [cofundador da Singularity University] para deixar um conselho às empresas: ‘Se alguém tiver que criar a disrupção do seu negócio, é melhor que seja você’. A tecnologia precisa estar na mesa do CEO, porque ela vai definir o futuro”, finaliza a mulher à frente da big tech. (CT)

Philips

Centrada no paciente e nas pessoas, a inovação praticada pela Philips aproveita a tecnologia avançada e insights clínicos para desenvolver soluções de saúde tanto para consumidores como para provedores de serviços de saúde e seus pacientes no hospital e em casa. Para Patricia Frossard, country manager da Philips no Brasil, a inovação tecnológica é um dos fatores essenciais para resolver os grandes desafios que a saúde brasileira enfrenta, especialmente quando o assunto é acesso e eficiência. “Na Philips, acreditamos que a transformação digital deve ser inclusiva, atendendo às necessidades das diferentes realidades do país”, afirma.

Em outubro, durante o Connect Day, um dos eventos mais relevantes para o setor de saúde na América Latina, a Philips trouxe duas dessas inovações que devem revolucionar o atendimento em saúde: o Tasy AI Virtual Assistant e a Medical Device Integration. O primeiro é uma ferramenta que utiliza inteligência artificial para analisar dados clínicos e melhorar a eficiência dos profissionais de saúde, automatizando tarefas repetitivas (como a extração de dados de prontuários eletrônicos) para que médicos e enfermeiros possam focar o atendimento direto ao paciente.

Já a MDI é uma solução que captura dados clínicos em tempo real e os transforma em insights acionáveis para a gestão do cuidado ao paciente, visando melhorar a colaboração entre as equipes especializadas dentro do hospital, otimizar fluxos de trabalho clínicos e aumentar a produtividade. A grande vantagem da MDI é sua capacidade de junção de dados fragmentados, centralizando-os por meio de um portfólio integrado que inclui hubs de conectividade, software de gestão de dados e interfaces de drivers de dispositivos.

Com isso, as unidades hospitalares passam a dispor de registros eletrônicos de saúde, sistemas de informação clínica, bancos de dados de pesquisa clínica, gestão de alarmes e alertas e suporte à decisão clínica. “Com soluções como a Philips Medical Device Integration e o Tasy AI Virtual Assistant, estamos criando um futuro em que a interoperabilidade e a inteligência artificial não apenas melhoram a gestão dos dados, mas tornam o cuidado com o paciente mais eficiente, acessível e humano”, explica Patricia.

A executiva ressalta que a “tecnologia tem o poder de reduzir as distâncias, seja no acesso ao diagnóstico, seja no treinamento de profissionais para atuar em regiões remotas. Só assim poderemos garantir que todos, em qualquer parte do país, tenham acesso a cuidados de saúde de qualidade e transformadores.” (SG)

Stefanini

A empresa de tecnologia Stefanini é uma das principais multinacionais brasileiras. Emprega 38 mil colaboradores em 41 países, e quase metade dos R$ 8,4 bilhões de faturamento esperado para 2024 virão de fora. É um caso raro: uma empresa de tecnologia com quase quatro décadas de estrada. Para conseguir isso, ela teve de colocar a inovação como prioridade.

A virada de chave ocorreu no início da década passada. “Há cerca de 12 anos, fizemos uma reflexão sobre o futuro e descobrimos que nossas atividades tradicionais teriam vida curta”, diz Marcelo Ciasca, CEO da Stefanini. “Começamos prestando serviços para as áreas de tecnologia das empresas, mas, no início da década passada, percebemos que precisávamos nos aproximar mais dos clientes.”

A solução foi criar um ecossistema ao redor de algumas verticais – que a Stefanini chama de “torres” –, como soluções financeiras, digitalização, marketing digital e indústria 4.0, incluindo a internet das coisas (Internet of Things, ou IoT). E, para manter a competitividade e permanecer atualizada, a companhia iniciou, também no começo da década passada, uma estratégia acelerada de aquisições. “Já integramos cerca de 40 empresas ao nosso ecossistema”, diz Ciasca.

Gerenciar essa estrutura é algo desafiador. Em geral, a Stefanini compra empresas muito menores. Quase boutiques, com um ou dois produtos, um time reduzido e uma presença forte do fundador (que em geral é também o controlador acionário e o CEO). Por isso, para além da análise dos produtos e dos números, conversar é essencial. “Chamamos o controlador da empresa para conversar”, diz Ciasca. “Nessas conversas, avaliamos se ele tem um perfil cultural e empresarial que se adapte ao nosso.”

A dificuldade é integrar sem diluir (ou perder) os principais ativos desse negócio: pessoas e conhecimento. “Para a empresa que recebe os investimentos, é sempre um choque: o empreendedor deixa de ser dono para ser sócio minoritário em uma empresa muito maior que a dele”, afirma o CEO.

Além de aquisições, a companhia tem dois programas para atrair inovadores. Um deles é o 87.co, em homenagem ao ano de fundação. Funciona como um hackathon. “Propomos um problema e desafiamos vários especialistas para encontrar a solução”, diz o CEO.

O outro programa é semelhante, mas voltado aos colaboradores. “Desafiamos equipes internas a trabalhar em algo inovador para melhorar processos, como os de recrutamento, produtividade e uso de inteligência artificial em vendas.” Em ambos os casos, os vencedores são fortes candidatos a serem convidados para uma conversa. (CG)

Por: Caroline De Tilia, Cláudio Gradilone e Vera Ondei
Colaboraram: Rodrigo Mora e Simone Guimarães 
Edição: Décio Galina e José Vicente Bernardo 
Ilustrações: Amanda Pinho 

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